Vinícius de Moraes foi muitos...Foi poeta, diplomata, letrista,
compositor e pedra filosofal da Bossa Nova, crítico de cinema, dramaturgo
eventual, cidadão do mundo. E trágico, transcendental, materialista, cínico,
divertidíssimo, boêmio e apaixonado por multidões de mulheres, inclusive as
feiinhas, para quem pedia piedade e
afeto. De manhã escurecia, de tarde ardia.
Vinícius chegou ao mundo junto com o temporal que varreu a
madrugada de 19 de outubro de 1913.Morreu aos 66 anos em 1980, não como o maior
poeta brasileiro, que não foi, mas como
o mais amado, criando alguns dos poemas mais belos e necessários do nosso
tempo. (Flávio Pinheiro).
Carioca, filho de uma
pequena classe média culta, desde cedo, através de seus pais, a música esteve presente em sua vida.
Tornou-se diplomata, e no início dos anos 50, voltou ao Brasil depois de morar
em Los Angeles e, fortemente
influenciado pelo jazz, juntamente com
outros jovens compositores como Tom Jobim e João Gilberto, iniciou o movimento
conhecido como Bossa Nova. A Bossa Nova revolucionou a música popular brasileira, através de canções hoje mundialmente
conhecidas, caracterizadas por uma batida diferente no violão e riqueza de
acordes.É de Vinícius a letra de Garota de Ipanema, a música brasileira mais
conhecida no mundo e a segunda mais executada nos Estados Unidos.Só perde para
Yesterday, dos Beatles.
De 1953, quando compôs
seu primeiro samba, até sua morte, em 1980, Vinícius nos deixou uma obra
riquíssima, de várias facetas e vários parceiros, responsáveis por verdadeiras
obras-primas da MPB. Foi melancólico e grave na parceria com Edu Lobo e Francis
Hime.Terno, inocente e militante com Carlos Lyra. Alegre e negro com Baden
Powell. Lúdico e folclórico com Toquinho. Pungente e simples com Chico Buarque.
Foi tudo isso com Tom Jobim. Teve como parceiros também Pixinguinha e Dorival
Caymmi.
Como poeta, Vinícius
cantou a força do amor, a paixão, a finitude da paixão...Por todas as
maravilhas que nos legou, nosso poetinha
é simplesmente imortal.
Poética
De manhã escureço
De dia tardo
De
tarde anoiteço
De noite ardo
O verbo no infinito
Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer,
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar
Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer,
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar
Soneto da fidelidade
Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.